...eu havia comentado que esperava voltar aqui para elogiar as escolhas da organização do FIB para a tenda alternativa. Pois bem, digamos que faltouousadia. O Círculo, que já tocou em edições anteriores, está de volta e é o principal nome, junto com figuras conhecidas do público local, como Chirlei Dutra (e banda), Kessller (& banda), Allison Menezes & a Catrupia, Os Barcos... Acrescentem aí os DJ’s e Rio Vermelho, da qual desconheço o trabalho.
Bem amigos (parafraseando o mala-mor Galvão Bueno), depois de vários dias de ausência devido a uma viagem de treinamento da qual participei, cá estou novamente para falar de... Música. Mais especificamente, um evento musical pelo qual espero todo ano, na esperança de ver algo diferente do status quo massacrante que vigora aqui na Suíça Bahiana (quem inventou esse título padece de falta de bom senso, convenhamos).
Pois bem, ladies and gentlemans, dias 20, 21 e 22 de agosto o FIB (Festival de Inverno Bahia) aporta em sua 6º edição. Hora de nos rejubilarmos, regozijarmos, comemorarmos, e mais um monte de armos, but... wait!! Alguma coisa não está cheirando bem!! Hora de conferir a grade de atrações. Errr, vejamos... Jammil, Claudia Leite? What the Hell [:O]!! Todos nós não aprendemos o be-a-bá onde diz que o FIB é (era?) um festival focado em pop rock, MPB, reggae e outros gêneros musicais diversos aos que vigoram por aqui? Pois bem, bela história da carochinha essa. Agora a nata do axé e seus asseclas se armaram até os dentes e iniciaram uma invasão viking para pilhar e destruir a essência do único evento musical de grande porte da região a oferecer algo diferente do mais do mesmo entediante que está aí.
E o que dizer dos repetecos? Charlie Brown Jr de novo? Capital Inicial? Lenine? Só faltou Biquíni Cavadão e Nando Reis para formar a confraria do bis (ou tris). Independente da qualidade dos artistas, um festival que ainda não chegou à adolescência se repetir tanto não é bom sinal. Na verdade é um termômetro do estado decrépito pelo qual o cenário de rock-mpb mainstream passa. Se por um lado o cenário alternativo-independente fervilha de boas novas (Móveis Coloniais de Acajú, Cidadão Instigado, Ana Cañas e mais uma porrada de gente...), os grandes nomes vão cada vez mais se esvaindo. Uma banda como o Titãs, que está respirando por aparelhos desde o século passado, ser tratado como novidade, é sofrível de ver. Para as grandes mídias (principalmente rádio e TV), os anos 80 não acabaram, e os anos 90 se anunciam como algo a ser amplamente re-explorado. E os organizadores de festivais (a maioria) pensam da mesma maneira. Nada contra trazer novamente um artista que fez sucesso em um evento passado, mas é preciso também dar espaço para o que acontece de novo, dar um sopro de juventude, tem muito artista de enorme potencial por aí só esperando oportunidades para aparecer.
Lucros Keke, o mundo é movido a lucros... ouvi muito isso, e concordo, não adianta pegar a carona fácil da utopia ululante onde as coisas podem ser do jeito que nós desejamos, e que os céus irão conspirar para que tudo saia perfeito. Há quem diga que o FIB deu prejuízo ano passado, o que não deixa de ser uma - meia - verdade, em parte por causa do fantasma da H1N1 (a outra parcela foi pela grade mesmo, sem sal), que foi um balão de ensaio, isso sim. A voz corrente é que o Festival apenas com artistas de pop rock, MPB e reggae não segura a onda do dindim, mas afirmar isso é ignorar o êxito das edições de 2005 até 2008. Essa discussão vai longe, mas o fato é que agora a Rede Bahia e a IContent (organizadoras do FIB) farão de tudo para criar uma sucursal do Festival de Verão em pleno Inverno. Idiossincrático até a medula. Mas o importante é o money, of course my friend!
Apesar dos pesares, vou lá ver Lenine (perdi da outra vez) e Jorge Ben (palmas para quem o contratou). Talvez Capital Inicial e Titãs. Diogo Nogueira eu vou ‘curiar’. Esse ano a palavra de ordem é mudança, não tão rápida para atenuar o trauma... Em 2011 veremos o próximo capítulo. Para os otimistas, a tenda alternativa pode reservar boas surpresas. Espero voltar aqui para elogiar as escolhas da organização para ela. Ao menos.