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quarta-feira, 14 de julho de 2010

É de Oxum!?

Esses dias o Keke estava aqui comentando sobre a visita do Gilberto Gil a Jequié, quando o artista rebateu as críticas de alguns evangélicos contra a temática do São João da cidade, o slogan da festa fez menção a uma entidade do candomblé. Misturar festa junina com homenagem ao candomblé não chega a ser mistura de religião, porque as festas juninas da maneira que são comemoradas não tem nenhum relacionamento com religião (o São João é católico só no nome, de resto a festa é totalmente mundana). Ficou o episódio como prova de que a imagem da Bahia como o estado do sincretismo religioso por excelência é jogada de marketing, assim como muita coisa no Brasil, cartaz para turista ver.

No dia 30 de junho, mais uma vez, tivemos a oportunidade de testemunhar a mentalidade retrógrada e preconceituosa do povo (baiano, brasileiro, terráqueo): um candidato a deputado federal foi barrado por seguranças no TRE da Bahia porque trajava um adereço de candomblé. O candidato estava no tribunal para consultar a prestação de contas da campanha e foi impedido de entrar no prédio. Detalhe: ele é negro. O candidato, do PRP, fez uma representação contra o TRE/BA na Comissão de direitos humanos da Assembléia legislativa alegando discriminação racial e religiosa.

Depois do caso entornado, lógico, o Tribunal voltou atrás e disse que foi tudo um mal entendido.

Questiono os regulamentos de vestuário dos tribunais. Impor padrões de vestuário é um ato discriminatório sim, além de limitante e excludente. Então, só quem é capaz de defender os próprios interesses e os interesses coletivos são pessoas que tem dinheiro para comprar sapatos, ternos, gravatas? Os cidadãos de pés no chão são burros demais para ir aos tribunais? (Equação: preto+macumbeiro+pobre= marginal). A Justiça exclui não só a diversidade cultural, também exclui os cidadãos das classes menos privilegiadas.

O cidadão não pode registrar os filhos porque não tem calças compridas para entrar no fórum. Consultar os búzios e assistir os afoxés faz parte da nossa cultura (elevadíssima cultura, viva a diversidade!), mas os cultos africanos são bem vistos só durante o carnaval, da quarta feira de cinza em diante eles que se vistam como todo mundo.

Não vamos esquecer que os piores calhordas deste país usam ternos de grife e respondem por “doutor” e “excelência”, e são eles próprios que inventam regras idiotas sobre como as pessoas devem se vestir para ter acesso a espaços onde por direito todos deveriam ser iguais.

E assim seguimos, preconceituosos e hipócritas.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Operação Jaleco Branco ?


Vocês já ouviram falar na operação Jaleco Branco? Não? Como não? Aquela feita pela Polícia Federal e denunciada pelo Ministério Público Federal que investiga “supostos” crimes cometidos em licitações públicas para serviços de vigilância, limpeza e segurança na Prefeitura de Salvador (BA) e secretarias no Estado da Bahia e na Universidade Federal desse estado. O requinte de pilantragem  dessa história é a suspeita de que o esquema tenha durado por volta de vinte anos no estado.
Lembrou? Não? Nada estranho:  as TVs estaduais não fizeram grande estardalhaço em cima do caso, os jornais deram notinhas, quase ninguém lê jornal (corrijo, quase ninguém lê, você é elite neste país, amigo), o assunto vai ficando velho, a Justiça já está no caso há 3 anos e nada se resolve.
Vamos fazer assim, tente gravar o nome: Operação Jaleco Branco. De vez em quando, joga a frase em algum buscador e vê se a coisa está andando. Não seja preguiçoso, é do nosso dinheiro que estamos falando, oras!
Passe os olhos nas últimas notícias sobre o caso:
No site do Superitor Tribunal de Justiça

No Correio Forense

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Quem tem medo do TCU?

O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) entregou para o TSE a relação de gestores públicos que tiveram suas contas consideradas irregulares.

Na Bahia, foram citados 700 ocupantes de cargos ou funções públicas e gestores (nós baianos ficamos em segundo lugar no ranking de contas negadas, só perdemos

para o Maranhão, legal né?). Agora, fica a cargo da Justiça Eleitoral dizer se os gestores que tiveram suas contas consideradas irregulares poderão se candidatar  nas próximas eleições. Para tudo cabem recursos, tão lembrados?

Quem quiser conferir a lista e ver se conhece algum dos encrencados com o TSE, clique aqui.

Fonte: Site do TCU